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ESPECIALISTA APONTA QUE O PROFESSOR NÃO PODE ABRIR MÃO DO CONTROLE, MAS PRECISA PEDIR O QUE É POSSÍVEL ATENDER
O exercício do poder, da liderança em sala de aula, passa pelas múltiplas possibilidades de somar as diferenças. Foi com essa conclusão que o doutor em Ciências da Educação pela Universidade de Havana, Cuba, Júlio César Furtado dos Santos, deu por encerrada a conferência Afinal, Quem Manda Aqui?! - Poder e Liderança na Sala de Aula, sendo o único conferencista a ser aplaudido de pé neste 4º Congresso Pensar, encerrado ontem no Centro de Atividades do Serviço Social do Comércio (Sesc), em Palmas. “Produção de efeito é o primeiro resultado da relação de poder. E ela não pode acabar. O segundo elemento é a relação social prévia, que fundamenta a esta relação de poder, digamos, autorizada. Do contrário, ela não se estabelece. A relação de poder só se justifica diante da necessidade de controle, do contrário, ela perde o sentido”, definiu o especialista.
É evidente que o controle é necessário em sala de aula, como é necessário nas relações entre pais e filhos. “Para a relação de poder se dar de forma lícita, ela precisa ser clara, do contrário, é manipulação. O efeito que quero despertar nos meus alunos é filho da possibilidade. Nós professores erramos quando procuramos estabelecer efeitos a priori, pontuou Santos.

POSSIBILIDADES
“Temos que construir as possibilidades a partir da turma que se apresenta e não chegar com os preceitos já definidos. Temos que aprender a amar o filho, o aluno que temos e não
aquele que gostaríamos de ter. O efeito que temos de esperar das turmas é a partir do que eles são, não do que gostaríamos que fossem”, sintetiza Santos. E o especialista acrescenta: “a relação que eu estabeleço deve ser coerente com o efeito que eu busco. Quando a gente negocia a forma de controle, as pessoas passam a ser responsáveis pelo processo. O que é inegociável é deixar de ter esse controle”. Júlio César Santos analisou com os professores os três tipos de poder, segundo John Galbraith: o poder condigno, que é pautado na ameaça. “O consumidor odeia esse poder, porque ele não quer limites. Seu uso está aliado ao castigo.” O segundo é o poder compensatório, o da troca, que é também um poder circunstancial. Não é para ser usado o tempo todo, ou então enfraquece. O terceiro é o poder condicionado, o do convencimento, naturalmente
educativo.
A discussão em torno do Plano Nacional da Educação (PNE), que tramita no Congresso Nacional e que norteará as ações para a área pelos próximos dez anos, ainda divide opiniões em relação a alguns pontos da proposta. O assunto foi tema da mesa-redonda PNE: Avanços e desafios, realizada na noite de ontem, durante programação do 4º Congresso Pensar. O debate contou com a participação do secretário estadual da Educação, Danilo Melo; do secretário adjunto do Ministério da Educação (MEC), Francisco das Chagas Fernandes; e da deputada federal professora Dorinha Seabra Resende (DEM), titular da Comissão da Educação e Cultura da Câmara dos Deputados.
Enquanto Fernandes acredita que o plano é exequível e que a população poderá fiscalizar a sua aplicação, para Danilo a proposta ainda poderia ter elegido algumas prioridades e trabalhar efetivamente na sua implantação, como a valorização da carreira do magistério, que ele prefere encarar como desenvolvimento, com contrapartida do professor, uma espécie de meritocracia; Dorinha defende mais dinheiro para a educação para que o PNE saia efetivamente do papel: 10% do PIB e não os 7% propostos pelo governo federal.
O representante do MEC explicitou as principais propostas do plano. Pontuou três questões que considera importantes: avaliação do PNE (2000-2010), levar em consideração o contexto da educação nacional e levar em consideração a mobilização social em torno da educação.












